Plataformas “vintage”: Hardware x Software

Eu sempre leio em diversas listas e fóruns a mesma afirmação: “De hardware estamos bem servidos, o problema é software!!! Temos ciclano e beltrano, além das lojas x,y e z vendendo novos hardwares” (ou novas versões de hardwares antigos).

A pergunta é: Por que temos “tanta” disponibilidade de hardware e não de software (novos)? Pra mim é resposta é tão clara e óbvia que nem deveríamos fazer essa pergunta. Vamos tomar como exemplo a plataforma MSX:

Aqui mesmo no Brasil temos pelo menos dois conhecidos  fabricantes de hardware. O Ademir Carchano que acaba de relançar a placa Expert3 e o nosso amigo Ricardo Oazem, que entre muitas novidades, lançou a pouco tempo a IDE-MAPPER e a primeira placa de rede “assembled in Brazil” digamos assim. Isso pra falar de coisas recentes. O que eu acho curioso nessa história é que as pessoas acham justo (eu também acho, claro!) pagar pelos produtos desenvolvidos, testados, montados etc, etc, etc… Quanto se paga? Num cálculo rápido, acredito que a Expert 3 saia por volta de R$600,00. Justo? Acredito que sim. Mas será que alguém pagaria R$600 pra alguém que desenvolveu um jogo novo pra MSX??? DUVIDO!!!! Um jogo por 600 pratas??? Nunca! Nem jogo de Xbox360 ou PS3 custa isso tudo! Concordo, mas vamos lembrar que estamos falando de algumas centenas de usuários da plataforma “vintage” contra milhares de usuários dos novos consoles. Se o FIFA2012 tivesse uma estimativa de vendas de apenas centenas de usuários custaria uns 100 mil reais, ou não seria desenvolvido (obviamente). Mas voltando ao assunto. Será que alguém está disposto a estudar, desenvolver, testar, adaptar etc… etc… etc… só pra no final alguém dizer: Parabéns! Ficou legal (ou nem isso…)???? Será? Acho que não. Eu sou um dos loucos que está “brincando” de fazer joguinho aqui. Mas sem qualquer pretensão comercial, obviamente, apenas para distrair meus neurônios.

Não vejo muita solução pra isso. Há os que defendam o software livre, mas isso sinceramente não existe. O desenvolvedor sempre está recebendo de alguma forma, seja através de propaganda, patrocínio ou algo do gênero. É uma “filosofia” bacana, mas que no mundo dos micros “vintage” não vejo como dar certo. O público alvo é muito pequeno para gerar receita da forma que um software livre faz. Simplesmente não funciona.

Outro fato interessante e que muitas vezes não lembramos: O cara que saca de hardware, consegue praticamente sozinho, desenvolver o projeto e implementá-lo. Pode demorar um pouco mais, mas é completamente possível. Nesse casos estou tomando como base os feras que citei no início do Post. Num jogo, o cara tem que ter muita criatividade, saber trabalhar com softwares gráficos para desenhar personagens e cenários, precisa entender de som (alguém já viu algum jogo sem som?), além de programar e testar… testar muito! Dá pra uma pessoa sozinha fazer isso tudo? Sim dá. Mas não espere que o resultado saia rápido… Tenho visto trabalhos sensacionais de melhoria de games, como os updates realizados pelo FRS da lista MSX. São de tirar o chapéu! Vi também um protótipo de um game muito legal do Slotman durante a última MSXRio. Esse é outro cara fera.

Resumindo…

Pagamos o preço de vídeo-games de última geração por “placas de 8bits” (felizes da vida), mas estamos acostumados a não pagar pelos softwares e jogos seja lá de qual geração for…

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7 Respostas a Plataformas “vintage”: Hardware x Software

  1. Ricardo diz:

    Daniel, concordo com seu texto. Mas para muitas pessoas programação é um hobby, e existem muitos projetos open source disponíveis em muitas plataformas, em geral voltadas para um público mais amplo.

    Uma potencial “solução” que imaginei para esse “problema” seria o desenvolvimento de um sistema com bibliotecas de baixo e alto nível para a criação de programas (até mesmo jogos) que pudessem ser facilmente compilados para diferentes plataformas “vintage” (de computadores pessoais a consoles de videogame).

    A vantagem de um sistema desse tipo seria a facilidade para a criação de novos softwares e modificações dos mesmos, além de ampliar o público potencial de um programa para plataformas “retro”. Entre os vários problemas estariam o “nivelamento por baixo” da qualidade, o não aproveitamento de todo o potencial de uma plataforma específica, e claro, o enorme trabalho em desenvolver tal sistema.

    Repare que não estou falando em algo como uma “máquina virtual” (à lá Java), mas algo mais ao estilo da biblioteca SDL, ou de uma série de frameworks específicos para certos tipos de programas e jogos (como o Beats of Rage para lutas, outros para RPGs e jogos de plataforma, etc.).

    []s!

  2. Essa questão do software, é bem por aí mesmo. É uma questão cultural de que já crescemos (desde a época do MSX) pirateando jogos e outras coisas. Mudar isso vai ser muito difícil e não será na nossa geração.

  3. Essa questão do software, é bem por aí mesmo. É uma questão cultural de que já crescemos (desde a época do MSX) pirateando jogos e outras coisas. Mudar isso vai ser muito difícil e não será na nossa geração.

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